terça-feira, 25 de abril de 2017

24.124



O número que dá título a este texto refere-se à assistência do jogo entre o Vitória Sport Clube e o Boavista, a contar para a Primeira Liga 2016/2017. É um número que impressiona, já que não apenas Guimarães não é uma cidade particularmente grande como o Vitória disputa adeptos com muitos outros emblemas locais, de entre os quais se destaca naturalmente o Futebol Clube do Porto, sediado na cidade "capital" do Norte do país, a pouco mais de 50 quilómetros de distância. Guimarães é um fenómeno por explicar, embora sejam muitas as possibilidades para racionalizar esta ligação entre as gentes daquela zona e o seu clube mais representativo.

Para o caso é mais ou menos indiferente, porque o que me leva a referir os 24.124 de Guimarães é o oposto no Restelo. De acordo com informação disponibilizada pelo site da Liga, a assistência do último encontro caseiro do Belenenses (derrota 1-3 frente ao Estoril), envolvendo dois clubes cujos estádios distam cerca de 20 quilómetros entre si, foi de 2.623 pessoas. Eu estava lá e não acredito que estivem metade das pessoas referidas. Mil pessoas no Restelo para ver um jogo de Primeira Liga doí-me muitíssimo mais do que os 3 golos sofridos e a derrota somada. Porque a derrota é a demonstração da fraqueza da equipa, mas os mil adeptos presentes é a expressão do desmantelamento associativo do Belenenses, que aliás não é coisa nova.

É por isso que no processo eleitoral que se aproxima gostaria não de ouvir candidatos referindo o habitual chavão de terem o sonho de verem o Belenenses campeão, mas de os ouvir explicar como pretendem trazer mais gente ao Clube, como planeiam intensificar a recuperação e a revitalização associativa e de que forma acreditam ser possível voltar a encher o Pavilhão Acácio Rosa, o Campo Major Baptista da Silva e, não obstante o processo em curso contra a Codecity, o Estádio do Restelo.

O Belenenses tem hoje uma estrutura dirigente amadora, atletas que são na sua esmagadora maioria amadores, treinadores que acumulam as suas funções no clube com a sua profissão "nove às seis", directores de secção e seccionistas que encontram no Clube um segundo emprego não remunerado altamente absorvente, stressante e desgastante. Sei que neste quadro é difícil pedir a quem tudo dá e pouco recebe de volta (sobretudo em matéria de reconhecimento) que participe mais no processo de regresso do Belenenses às suas origens geográficas e comunitárias. Mas é preciso porque caso contrário vamos morrer.

Ou o Belenenses estende a mão aos seus vizinhos (e refiro-me a pessoas, não a clubes rivais) de Lisboa Ocidental e concelhos limítrofes da margem norte e sul do Tejo, ou não nos restará outro panorama que não seja o irreversível definhamento associativo. Não sei se podemos voltar a ser campeões de futebol, mas parece-me evidente que não estamos condenados a jogar para bancadas vazias. Esta é a luta n.º1 que se coloca ao Belenenses deste dia 24 de Abril de 2017. E ao de amanhã, e ao dos dias que se seguem.