segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Onde andam os belenenses?


Ao contrário do que muitos pensam - e outros dizem sem pensar - o Restelo já encheu por diversas vezes, e nem é preciso recuar muitos anos para encontrar uma data em que o estádio se tenha encontrado repleto de adeptos.

Acontece que, independentemente do que pensam e dizem os detractores do Clube de Futebol "Os Belenenses", a verdade é que as assistências no nosso estádio foram caindo nas últimas décadas, e hoje é possível ouvir, a partir da bancada, boa parte do que se diz no relvado, tal é o sepulcral silêncio que frequentemente se faz ouvir no estádio que foi outrora casa de uma massa adepta apaixonada e ruidosa.

O Restelo perdeu assistências e a razão dessa quebra acentuada e visível não é apenas a redução objectiva do número de associados, adeptos e simpatizantes do nosso emblema. O Belenenses, que sempre foi um clube lisboeta e de bairro - independentemente da sua histórica implantação nacional -, morreu nos bairros que sempre lhe garantiram o saudável espírito bairrista que esteve na sua génese.

Naturalmente que existem belenenses na Ajuda, no Restelo, em Alcântara e na Junqueira, mas não são hoje mais do que aqueles que, nascidos e criados na histórica zona de influência azul, se afirmam adeptos de outros rivais da capital.

O Belenenses virou as costas às suas gentes, e quando voltou a precisar delas percebeu que não houve uma renovação geracional como acontecia nos anos 60, 70 e 80. Os avós, desiludidos por anos e anos de desvirtuamento do original espírito do "Pau-do-Fio" e das Salésias, não passaram o belenensismo aos netos. O meu pai e o meu avô materno, que desistiu de sócio há muitos anos, era então um dos primeiros 20 números do clube, ainda me passaram a paixão azul, e eu aos meus filhos, mas seremos mais excepção do que regra...

Da mesma forma, o Belenenses não foi capaz de casar a necessidade de receitas com uma resistência absolutamente necessária à ditadura dos alinhamentos televisivos [sobretudo a partir do momento em que as jornadas da Liga se transformaram em pura programação de televisão]. Jogos ao domingo [ou à segunda-feira] à noite passaram a ser a regra num Restelo cada vez menos frequentado pelos seus verdadeiros donos: os associados e os adeptos de um emblema orgulhoso, derrotado por dentro e gozado por fora. Ainda há Belenenses dentro do Belenenses, confio. O que me pergunto é se ainda haverá belenenses nos seus territórios de natural implantação e apoio.