segunda-feira, 17 de abril de 2017

Felizmente ainda há Belém!


Termino o fim-de-semana azul com um sentimento ambivalente acerca do futuro do Belenenses e do papel que nele pode e deve desempenhar o seu futebol sénior masculino.

Na passada sexta-feira fui um dos que se confrontaram, uma vez mais, com o estado de profunda degradação do futebol profissional, em mais uma tarde de estádio vazio, futebol medíocre, total ausência de combatividade, espírito e memória belenense. Os únicos elementos que actualmente unem a equipa representativa do Belenenses ao Clube são as cores do equipamento (e isto quando o Belenenses joga à Belenenses...), a Cruz ao peito e o Estádio do Restelo, onde disputa os jogos caseiros. De resto, para ver uma equipa dar expressão aos valores originais do belenensismo foi preciso esperar por sábado, quando no Pavilhão Acácio Rosa pude assistir a uma impressionante demonstração de espírito de luta da jovem equipa de andebol, que perante um adversário duro e outras tristes circunstâncias do jogo foi capaz de se unir, cerrar os dentes e alcançar uma vitória que soube a título.

Devo confessar que não assistia a semelhante demonstração de azul querer desde o dia em que, há dez anos atrás, vi a equipa sénior de Rugby arrancar uma impressionante e para sempre memorável vitória na Tapada, contra a equipa de Agronomia, tendo acabado o jogo a alinhar com doze (contra quinze) depois das expulsões do capitão João Uva, de William Hafu e de Sebastião da Cunha (este último ainda hoje alinha na equipa principal da secção).

Se no início se esperava que as equipas das modalidades fossem beber ao futebol o espírito belenense, a verdade é que nos dias que passam a lógica só pode ser a inversa, e não porque o futebol sénior tenha deixado de ocupar o primeiro lugar no seio das paixões azuis, mas porque circunstâncias várias o levaram a separar-se de facto da maneira de ser e de jogar "à belenenses". Neste contexto parece-me necessário contrariar, no quadro do debate democrático, franco e aberto que se abre no Clube neste período pré-eleitoral, as perspectivas que assumem uma incompreensível equidistância entre Clube e Codecity (normalmente camuflada sob a designação de "a SAD").

Em Abril de 2017 já não é possível nem desejável observar, de cima do muro, esta luta pela sobrevivência do Clube de Futebol "Os Belenenses", sobretudo porque a pretensa equidistância só serve um dos lados (o da Codecity). Que o futebol profissional regresse ao Clube, ou que o Clube refunde o seu futebol sénior. Isto que hoje "temos" não serve, envergonha. Valem-nos os bravos jogadores (e jogadoras!) das "modalidades" e do futebol juvenil. Felizmente ainda há Belém!