domingo, 7 de maio de 2017

Exigimos respeito



Nos últimos vinte anos o Estádio do Restelo foi-se tornando num imenso mar de cadeiras vazias. Durante jogos oficiais, a maior parte dos quais realizados em horários pensados para o espectador televisivo, podem ouvir-se sem esforço conversas, desabafos, "bocas" a distância considerável, tal é o silêncio que domina durante longos períodos dos encontros. Não há pressão nem para a equipa azul nem para a equipa visitante, muito menos para os árbitros, que vêem ao Restelo fazer tardes e noites tranquilas.

Será impossível compreender a importância dos acontecimentos do passado domingo, logo após a sétima derrota consecutiva frente ao Paços de Ferreira, e da manhã de ontem sem ter presente o cenário descrito no primeiro parágrafo, porque a verdade é que a equipa sénior de futebol se tem esquecido de que não joga para si, não se representa apenas a si nem tão pouco essa entidade comercial [sem natureza associativa] que é a "SAD". E a culpa também é nossa.

A dinâmica criada já deixou aos mimados do Restelo uma mensagem bem clara: exigimos respeito e não vamos tolerar essa postura de indiferença face à sorte do Belenenses. Ao representante da empresa que circunstancialmente detém a maioria do capital social da SAD a mensagem deixada foi outra: a Codecity não é querida pelos sócios, os seus representantes são personae non gratae e está na altura do Futebol sénior masculino regressar ao controlo por parte do Clube.

Espero sinceramente que esta unidade de acção, capaz de pela primeira vez em muitos anos unir vontades, grupos e pessoas [para lá de antipatias, "rivalidades" e choques de egos], não se perca. Porque o que ontem se fez no Restelo foi, apesar de tudo, história: um grupo de sócios e adeptos do Clube uniu-se para, sem intermediários nem chefes, exigir respeito. O sinal dado é inequivocamente importante para todos os poderes actuais e futuros: os sócios reclamaram o Clube para si, sendo neles e só neles que reside a soberania associativa.

Seria na minha perspectiva importante que uma estrutura informal de associados e adeptos se estabelecesse, à semelhança de outras experiências existentes noutros contextos, mais ou menos próximos ao nosso. lembro-me por exemplo da Plataforma ADRV, que junta todas as "peñas" do Rayo Vallecano na sua luta contra Martin Presa ["dono" do Rayo], numa iniciativa que teve origem na clara percepção que apenas a unidade na acção de grupos diversos poderia valer ao Rayo madrileno.

Se este é ou não caminho a seguir, se o conseguiremos ou não, apenas o futuro esclarecerá.
Em todo o caso parece-me claro que não mais deixaremos de exigir respeito. E de o fazer na máxima unidade possível, em defesa única e exclusiva do Clube de Futebol "Os Belenenses".