quinta-feira, 4 de maio de 2017

Formação: uma abordagem diferente



Um dos aspectos que mais me tem interessado ao longo dos anos de vivência quotidiana da paixão belenense - como sócio e adepto, colaborador do clube, seccionista do Rugby e pai de atletas do basquetebol - diz respeito a aspectos diferenciadores da abordagem formativa e competitiva das escolas e das equipas do Belenenses face a outros emblemas de semelhante dimensão. Por exemplo: sempre me perguntei - e sempre coloquei esta questão a quem acompanha as equipas do Clube - se existe um "jogar à Belenenses" nas diferentes modalidades.

Ainda não tenho resposta para a minha interrogação - talvez com excepção relativa ao Rugby, modalidade em que existe um tipo de jogo, de abordagem táctica, que parece diferenciar o Belenenses face à maioria dos seus adversários -, embora me pareça que encontrei no basquetebol um elemento de diferença que não é "pormenor" mas antes um "pormaior" de enorme relevância: a ideia concretizada (ou seja, já não apenas em tese mas em prática quotidiana) de uma formação integral da criança pré-atleta, que combina aspectos básicos da sua formação desportiva com outros mais essenciais (sobretudo em idades tão precoces) de formação humana - individual e colectiva - que acrescentem algo de positivo à vida dos meninos e das meninas das escolinhas de minibasquete azuis.

No minibasquete do Belenenses não há pressão para o atingimento de resultados. Não há gritaria quando os passes saem mal, os lances ao cesto não entram ou as equipas se vêem dominadas por um adversário mais forte, mais velho e/ou mais competente. Ninguém penaliza o erro, antes o aproveitando para ajudar ao crescimento daqueles que têm a sorte de ter treinadores tão conscientes do seu papel na vida de crianças que escolheram o basquetebol e o Belenenses para praticar desporto.

Um dia mais tarde, os meninas e as meninas do minibasquete que chegarem aos escalões competitivos aprenderão - por si, com os seus colegas de equipa, treinadores e dirigentes do Clube - coisas novas que os integrarão num contexto mais exigente. Estou sinceramente convencido de que a melhor forma de os preparar para o "salto" é aquela que se encontra hoje em prática no minibasquete azul: com muito fairplay, carinho, amizade, honestidade na abordagem ao jogo (de minibasquete) e aos adversários. Por isso os meninos do Belenenses gritam "queremos todos jogar bem, somos minis do Belém". Jogar bem não é necessariamente "ganhar", e ganhar é exigência de que o minibasquete do Belenenses abdica em favor de outras competências e formas de estar perante o jogo e a vida.

Lidar de perto com o minibasquete do Belenenses tem-me feito ser um pouco mais azul, um pouco mais orgulhoso do emblema do meu coração, um pouco mais consciente sobre a importância do papel do Clube de Futebol "Os Belenenses" para a comunidade que o rodeia, nesta zona ocidental da cidade de Lisboa.