segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Bancada vazia




A consulta da página de estatísticas do site da Liga é de grande interesse, nela se espelhando a realidade associativa de muitos emblemas cujas equipas profissionais de futebol competem na principal competição do futebol nacional.

Três emblemas lá no topo, com um acumulado em torno dos 260 a 250 mil espectadores nos primeiros 5 e 6 jogos da temporada, um que se encontra a meio caminho, na casa dos 115 mil e depois uma lista de catorze figurantes que entre os 68 mil e os miseráveis 7 mil espectadores acumulados em cinco jornadas caseiras ilustram bem o desequilíbrio que graça no patamar mais elevado do antigo “jogo do povo”.


O Belenenses, que tem cinco jogos caseiros contabilizados (Marítimo, Vitória FC, Estoril, Vitória SC e Moreirense) vai pouco além dos 10.000 espectadores, o que representará assistências médias na casa das 2.000 almas por jornada no Restelo. É para já a pior percentagem média de ocupação dos Estádios da Liga, com 13,70%, longe dos 17,24% do Estoril, o clube com menos público.

As contas feitas antes das visitas dos clubes que mais adeptos visitantes tradicionalmente trazem ao Restelo (argumento muito caro às pessoas “da indústria” e a dirigentes que vêm nos referidos emblemas o “abono de família” dos seus cofres) permite-nos aliás perceber, sem assistências inflaccionadas por clubes visitantes, que a posição na tabela classificativa ocupada pela equipa que representa actualmente o Belenenses não tem sido motivo de maior aproximação de sócios e adeptos relativamente aos jogos disputados no Restelo.

Naturalmente que o problema do afastamento dos sócios e adeptos do Belenenses não é um exclusivo do futebol sénior nem uma realidade dos últimos quatro anos. Em todo o caso os números provam que não há qualquer efeito positivo por via da chegada ao Restelo da empresa detentora da maioria do capital social da SAD.

O Belém é um clube que, pela sua natureza e contexto histórico, cultural e geográfico, se encontra particularmente exposto aos efeitos dos aspectos mais nocivos do futebol-indústria. A sua revitalização passa por um corte com a ideologia do futebol moderno e pela sua afirmação como emblema resistente a um sistema que trucida clubes no altar dos interesses daqueles que simulando divergências partilham evidentemente interesses e perspectivas sobre a asfixia do desporto nacional.

Por outro lado, o Belenenses vive desde há muito um problema associativo que é do âmbito do Clube, ao qual sócios e dirigentes não são desde há muito capazes de dar resposta. Parece-me todavia óbvio que a Codecity tem contribuído – e de que forma!... – não apenas para o seu agravamento como também para a intensificação da desertificação do Restelo em dia de jogo.

Rua com a Codecity.
Refundação, já.