quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A esclarecedora entrevista de RPS


RPS deu uma entrevista de duas páginas ao jornal "A Bola". Primeira nota: o tempo de antena - ou o espaço na imprensa - dedicado a entrevistas de gente ligada à SAD neste período (recordo entrevistas a Freddy, Maurides, José Luís e até ao desvinculado Camará, que se referiu ao Belenenses e ao processo da sua saída, voltando a apontar o dedo aos sócios do Clube) é muitíssimo maior do que a quase inexistente voz do Clube nos media.

A entrevista de RPS esclarece muita coisa, sobretudo e paradoxalmente por via daquilo que recusa esclarecer.

Alguns exemplos:
  • RPS refere o passivo da SAD anterior à chegada da Codecity, enfatizando a sua importância e usando-o como elemento justificativo para a venda por parte do Clube da maior do capital social da SAD a uma empresa externa, mas na última resposta da entrevista recusa-se a revelar o passivo actual da SAD, preferindo referir que o activo é superior ao passivo e que o que actualmente importa é aumentar receitas. Será porque o passivo aumentou significativamente desde o início da operação da Codecity na SAD?
  • RPS contorna olimpicamente a questão sobre a disponibilidade da Codecity para assinar um novo "parassocial", assunto absolutamente chave para um eventual futuro entendimento (por alguns defendido) entre o Clube e a empresa que ainda detém a maioria do capital da SAD.
  • RPS contorna olimpicamente a questão do esvaziamento do Estádio do Restelo - 1223 espectadores no último jogo em casa para a Liga, frente ao Paços de Ferreira -, contorna o divórcio efectivo entre adeptos e sócios do Clube por um lado e a SAD por outro, preferindo referências risíveis à falta de estacionamento ou de conforto no Restelo.

De resto trata-se de uma entrevista redonda, sem ponta por onde se lhe pegue.

Um conjunto de lugares comuns e desejos grandiosos (como ganhar a Taça de Portugal, quando a equipa da SAD tem sido sucessivamente eliminada por clubes de escalões inferiores, ou participar na Liga dos Campeões, o que implica neste momento ser 1º ou 2º classificado da Liga, com o dobro dos "40 pontos" que são o objectivo actual) que mais não fazem do que esconder uma inacreditável pobreza de ideias e uma efectiva falta de ligação ao Belenenses, aos seus adeptos e aos seus associados.

De fora da entrevista ficaram algumas perguntas óbvias, mas que na verdade são hoje totalmente laterais no contexto de uma "indústria" de que também o jornal "A Bola" é parte: Como explica o afastamento do grupo mais activo e presente de sócios do Belenenses face à equipa profissional de futebol? Pode uma equipa profissional de futebol e uma SAD desenvolver a sua actividade sem o apoio dos sócios do Clube fundador? Porque razão a Codecity deu o dito por não dito, impossibilitando o direito de recompra que foi apresentado aos sócios em AG como uma condição do processo de compra-venda entre o Belenenses e o (suposto) investidor? Qual foi até ao momento o investimento efectivamente realizado pela Codecity na "Os Belenenses Futebol SAD"?

A entrevista de RPS é, do meu ponto de vista, absolutamente esclarecedora. E a principal conclusão é a seguinte: a Codecity encontrou na SAD do Belenenses - a SAD que foi, é e será património do Clube e dos seus associados - um veículo para o desenvolvimento de uma actividade empresarial que não tem no Belenenses nem nos belenenses a sua principal preocupação. Cada minuto passado por esta gente no Belenenses é um pedaço de viabilidade a menos no futuro do Belenenses.