sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

"À Sombra de Gigantes"


Em Junho de 2017 fui contactado por um jornalista brasileiro - Leandro Vignoli - através da página do Facebook deste mesmo blogue. Na altura concordei em responder a cinco questões sobre o Belenenses e a sua situação, ainda sem saber bem a que se destinavam as respostas. Posteriormente, o Leandro esclareceu que se encontrava a preparar um livro sobre clubes históricos do futebol europeu actualmente percepcionados fora do estatuto de "grandes"; emblemas como o Espanhol, o Leyton Orient de Londres, o Union Berlin ou o 1860 Munique. Alguns meses depois percebi que a "entrevista" teria sido utilizada em "À sombra de gigantes: uma viagem ao coração das mais famosas pequenas torcidas do futebol europeu".

Creio que o facto de um jornalista brasileiro ter escolhido o Belenenses como casa de uma "das mais famosas pequenas torcidas do futebo, europeu" é por si só um motivo de orgulho e reconhecimento do prestígio de que apesar de tudo ainda gozamos. Se o autor tivesse procurado conhecer melhor os adeptos de outros emblemas emergentes do futebol português estou certo de que, dada a actual situação associativa do Belenenses, não lhe poderiamos levar a mal... Acontece que não o fez e isso tem que ter um significado e uma razão.

Em "À sombra de gigantes" cabe ao nosso querido Belenenses o décimo capítulo da viagem. Leandro Vignoli chamou-lhe "Belém e só o Belém". Eu ainda não li o conteúdo mas depreendo que o título se relacione com uma especificidade de boa parte da nossa massa adepta face à generalidade dos clubes nossos concorrentes nas principais competições desportivas nacionais: os Belenenses são Belenenses e só Belenenses, sem "segundos clubes" nem preferências estarolas. Somos "Belém e só Belém", de mais ninguém.

Numa das minhas respostas a Leandro Vignoli tive oportunidade de enfatizar essa característica belenense. E não o fiz para amenizar a triste situação associativa do Clube. Se o referi é porque acredito mesmo que os Belenenses de hoje ainda preservem essa atitude de elementar higiene associativa, e que essa realidade pode muito bem ser o embrião de um futuro Belenenses refundado, reconstruído e reanimado.

O Belenenses permanece à sombra não de outros gigantes, mas do gigante adormecido que ainda é. Reconhecê-lo pode muito bem ser fundamental numa fase histórica da vida do Clube em que se exige coragem e visão.

Somos Belém e só do Belém.
Queremos renascer, inteiros, unos, num só Belenenses.
Não há outro caminho.