quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Falar grosso (para inglês ver)


Diz-se que alguém fala "para inglês ver" quando aquele que protagoniza o discurso (geralmente inflamado) tem muito mais objectivos de forma do que de conteúdo. Foi o que se passou ontem - é o que se tem passado desde há muitos meses - com um conhecido responsável da "Os Belenenses Futebol SAD" após a desconcertante exibição da equipa da Codecity em mais um fraco resultado que deixa a equipa a escassos sete pontos do penúltimo classificado da Liga.

O responsável em questão tem-se desmultiplicado em declarações públicas, entrevistas e protagonismos vários, incluindo no chamado "G15", grupo de SAD's que até ao momento se notabilizou por reclamar uma maior participação na "indústria" e no "negócio do futebol", e por contradições insanáveis que aliás têm sido alvo de gozo por parte do estarolismo indígena (como aquela proposta do SCB sobre o fim dos empréstimos de jogadores, à qual se sucedeu o recúo de António Salvador relativamente à devolução de jogadores emprestados por clubes terceiros e a alinhar na sua equipa e, simultaneamente, o empréstimo por parte do SCB de Marko Bakic à "Os Belenenses Futebol SAD"...).

Ontem à noite o motivo da aparição pública do responsável da Codecity foi um erro de arbitragem - real e efectivo - que valeu ao Boavista o golo do empate aos 89 minutos do jogo (depois de há pouco mais de um mês ter referido publicamente que "para ultrapassar este momento era importante que não se criticasse árbitros"). E isto depois de uma segunda parte durante a qual a equipa da SAD jogou muito tempo nos últimos 30 metros do seu meio campo defensivo, sem soluções nem ideias para parar um Boavista fraquinho, com mais vontade do que capacidade, catapultado para o empate muito mais pelas erradas opções do treinador da equipa visitada do que pela influência da arbitragem.

Trata-se na minha perspectiva de uma fuga para a frente. Uma cortina de fumo para desviar atenções de problemas bem mais graves e assuntos bem mais relevantes no que respeita à vida e ao dia-a-dia do futebol profissional ligado ao Belenenses.

Fazendo fé no jornal Record, Rui Pedro Soares já arranjou uma justificação pífia para a mais do que provável incapacidade da equipa da SAD para chegar às competições europeias [1]. Por outro lado, temas bem mais relevantes do que um golo mal validado num jogo da Liga têm ficado sem o merecido esclarecimento. Refiro-me muito concretamente às denúncias de transferências de dinheiro entre a "Os Belenenses Futebol SAD" e o Benfica recentemente divulgadas como caso colateral ao ruivoso "escândalo dos emails".

O nome do Belenenses está na lama e os responsáveis da Codecity, pelo menos enquanto permanecerem no Restelo, têm a obrigação de zelar pela salvaguarda do prestígio de um emblema que, mesmo não sendo o seu, de certa forma representam. Isto, claro está, enquanto o Clube e os seus associados - que por mais de uma vez manifestaram em Assembleia Geral a sua vontade esmagadora de ver partir a Codecity - não encontrarem a solução para o bicudo problema que têm em mãos.

Notas:

[1] "Podem prejudicar-nos ao ponto de não irmos à Europa, mas que não lhes passe pela cabeça que nos atiram para a 2ª Divisão. Não contem com isso, porque não vamos"